Depois de o PS, apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, roubar o Governo à coligação do PSD-CDS, que saiu vencedora das eleições legislativas de 2015, são por demais os sinais na sociedade portuguesa, de que Portugal está a transformar-se numa ditadura de esquerda disfarçada de democracia, naquele que está a ser um verdadeiro golpe Constitucional com o alto patrocínio do Presidente da República (por acção) pelo Tribunal Constitucional (por inacção) e pela Comunicação Social (por híper acção).

Com Sócrates assistimos, precisamente, a uma situação semelhante mas, apesar de tudo, era mais evidente pois o ex-primeiro ministro/coveiro de Portugal era demasiado arrogante e com um ego gigante demonstrava bem ao que vinha (embora tenha feito muitas coisas na sombra, muitas das quais estamos ainda a descobrir).

Agora, com este Governo (cujos Ministros e Secretários de Estado também desempenharam cargos idênticos no Governo de Sócrates, em particular o actual Primeiro-Ministro) e os partidos que o suportam, tudo é feito em boa parte de forma subtil e rasteira e com um sorriso nos lábios, como se, transformar uma democracia numa ditadura, fosse a coisa mais natural do mundo. A comunicação social acha tudo muito fantástico, assim como o Presidente da República (que só se preocupa com a popularidade e a reeleição) e o Tribunal Constitucional, que impediu o anterior Governo de governar face a uma situação de emergência nacional, acha tudo, pois, Constitucional. Exemplos? Aqui vão alguns:

1. Os FEE querem legislar de forma a controlar os Magistrados do Ministério Público e equipará-los a simples funcionários públicos a quem passam a dar ordens a seu belo prazer, isto é, deixem lá de andar a investigar a malta do PS (e do PSD também), as negociatas do PCP e a especulação imobiliária do BE e passem a dedicar-se somente a investigar os outros partidos e as coisas sem importância. Isto era assim antes do 25 de Novembro de 1975, no tempo do anterior regime, supostamente algo com que os FEE enchem a boca e que juraram defender, que coisas destas não voltariam a acontecer. Talvez tenham igualmente receio que um dia destes, o que seria deveras interessante, se investigue comentadores e jornalistas (sobretudo de televisão) pois com tanta falta de isenção, de tanto falar bem e proteger os FEE, quem sabe não se iam descobrir muitas avenças e negociatas?

2. Tentativa de legislar no sentido de controlar o Banco de Portugal e retirar-lhe a sua independência, situação que mereceu o reparo e a desaprovação do Banco Central Europeu.

3. Afastamento da ex-Procuradora Joana Marques Vidal, que tão bem desempenhou as suas funções.

4. Alteração da legislação laboral no sentido de, mais uma vez, perseguir e castigar as empresas. São estas que investem, criam emprego e riqueza. Se não se lhes dá o mínimo de condições, elas ou fogem para outros países ou abrem falência. E, atrás disso, vem a pobreza, a miséria, a falta de alimentos e medicamentos, a ausência de cuidados de saúde, ou seja, a Venezuela.

5. Diabolizar tudo o que é negócio privado e também social sem fins lucrativos – pois para os FEE tudo tem que ser Estado, controlado pelo Estado, não existe lugar para o cidadão, para o negócio privado, nem tão pouco para as organizações sem fins lucrativos que se dedicam às causas sociais e de saúde dos portugueses.

6. Tentativa de condicionar órgãos independentes diversos, como seja o Conselho de Finanças Públicas, impedindo nomeações e tendo conseguido finalmente afastar Teodora Cardoso, apenas e só, porque emitia e opinava verdades incómodas por contrapartida das mentiras apregoadas pelo Governo.

7. Destruição do ensino em Portugal, promovendo o facilitismo e a falta de rigor no processo educativo e de aprendizagem dos alunos, bem como, de uma cada vez maior, a perda de autoridade por parte dos professores. E aqui, mais uma vez, se vê na prática o contrário do que apregoam – perseguição a tudo o que é privado, neste caso aos colégios privados, que ministravam um bom ensino a todo e qualquer aluno independentemente do seu extracto social. Muitos têm vindo a encerrar e, com isso, os alunos saem prejudicados sobretudo aqueles que são oriundos de famílias que têm mais baixos recursos.

Tudo isto que referi é tal e qual o que se passou e tem vindo a passar na Venezuela, onde quem pensa diferente dos FEE é para afastar/eliminar/extinguir/desaparecer.

Bastava que apenas 1 dos pontos que referi acontecesse com um governo do centro-direita e já se pedia a dissolução do Parlamento em quase tudo o que é órgão de comunicação social e lá teríamos a gritaria e as manifestações encomendadas pelos FEE para tratar de dar cobertura e aval a este tipo de coisas, tal qual o golpe Constitucional/teatral de Jorge Sampaio quando dissolveu um Parlamento com maioria absoluta (primeira e única vez que tal aconteceu num país europeu no pós 2ª guerra mundial) com a ajuda do atual presidente/comentador Marcelo.

E, lamentavelmente, os portugueses só não vêem porque não querem, demitem-se da análise política e adoram ser enganados por uma boa mentira, em vez de olhar para a realidade e a verdade que está à frente dos olhos.

E assim caminhamos para a miséria e para nos tornarmos a Venezuela da Europa.

 

José Bourdain (Politólogo)

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