Por vezes tenho a mania de olhar para a minha bola de cristal e ver o futuro. É certo que por vezes me engano (embora não aconteça muitas vezes) e oxalá que desta vez me engane mesmo; pois o que a minha bola de cristal me diz é que corremos o risco de ter como Primeiro Ministro, dentro de poucos anos, Pedro Passos Coelho.
in Jornal Região Sul, 29 de Janeiro 2010 


Na eleição que este disputou com Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite para a liderança do PSD, conseguiu ficar em 2º lugar e pode ser mesmo que na próxima eleição – que será muito em breve – consiga mesmo chegar a líder do PSD – logo candidato a Primeiro Ministro de Portugal.

Mas quem é Pedro Passos Coelho? Liderou a JSD durante muitos anos, foi deputado na Assembleia da República e…??? Esteve afastado da política durante anos e aparece de repente como candidato a líder do partido, sabendo todos nós e olhando para a história eleitoral do nosso curto período democrático que o líder de um partido como o PSD pode virar facilmente Primeiro Ministro.

Como é que algo assim acontece? Como é que alguém que esteve afastado, no silêncio, alguém que nem sequer era figura de topo no partido, aparece de repente com tanto apoio dentro do partido? É alvo de atenção por parte de toda a comunicação social? É convidado para dar entrevistas em jornais, rádios, revistas e em televisão? É convidado para palestras? Escreve livros em 2 meses com ideias que é mais do mesmo? Que qualidades se conhecem a este homem, o qual não é mais que a versão José Sócrates do PSD – um ser bem falante, bem vestido, sem ideias, sem saber o que é liderar, sem saber o que é gerir pessoas, recursos materiais e financeiros, com um discurso decorado do politicamente correcto, sem chama, sem que diga algo que nos motive ou emocione?

A resposta está numa realidade da nossa sociedade portuguesa e da esmagadora dos países, cuja história pode ser vista em diversos filmes made in hollywood, ou seja, um conjunto de pessoas com poder, dinheiro, muita influência na sociedade portuguesa, algumas das quais dentro do PSD e outras que nem sequer fazem parte do partido mas precisam dele para os negócios; lançam um candidato que manobram facilmente, promovem-no tal e qual como se faz com um produto alimentar, de beleza ou electrónico e transformam-no no candidato ideal a Primeiro Ministro.

Depois de eleito, dão-lhe indicações de como governar – isto é legislar e fazer negociatas para favorecer precisamente quem o promoveu; e ai dele que não faça o que lhe mandam que rapidamente lhe “tiram o tapete” e colocam lá quem obedeça.

É esta a realidade crua da sociedade portuguesa para mal de todos nós. Lamentavelmente, e como costumo dizer, o povo tem os governos que merece. A esmagadora maioria das pessoas em Portugal não dá a devida atenção à política, não querem saber de política e cerca de 65% votam no “clube” (entenda-se partido) do coração sem sequer saber o que propõem, que ideias defendem, se fizeram algo de bom ou mau.

Nada tenho contra Pedro Passos Coelho do ponto de vista pessoal, nem sequer o conheço. Sou é contra a forma como se criam líderes políticos (sejam eles de qualquer partido) para nos governar e que nada percebem do que isso é, que se servem do país em vez de servir o país e que mais não são do que peões que gente com poder manobra a seu belo prazer com todas as consequências que isso traz para nós cidadãos e para o bom nome do país.

Será que o nosso destino passará sempre por isto? Será que quase ninguém ama este país? Será que quase ninguém tem orgulho em ser português? Porque raio ninguém pensa colectivamente e a política só serve para se tentar tirar vantagem pessoal e não para tentar de fazer algo de bom em prol dos outros e do bom nome de Portugal? Desculpem este meu desabafo mas eu amo o meu país e acreditem que sofro imenso por me aperceber do que se passa à minha volta e sentir-me impotente de quase nada conseguir fazer.

Politólogo

José Bourdain *
11:10 sexta-feira, 29 janeiro 2010

Leave a Comment